segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Metáforas da (minha) vida


Ao me sentir sozinho em casa, imaginei um filme do Woody Allen como uma espécie de terapia improvisada, pois me faria sentir a companhia de alguém que me entende e que tem questões existenciais como eu.  O filme que vi foi seu penúltimo trabalho chamado “you will meet a tall dark stranger” o qual tem como idéia central o realista pensamento de que às vezes as ilusões são melhores que os remédios. Mal posso expressar em palavras quão desesperançoso é esse pensamento e quão desapontante foi o filme pra mim. Dentre as várias histórias das personagens do filme apenas uma acaba com certa perspectiva positiva, e é justamente a que se entrega a ilusão.
Tudo bem, a vida não precisa ter necessariamente uma luz no fim do túnel, mas ao menos precisamos sentir as paredes e o chão desse túnel para sabermos que estamos caminhando na direção oposta a qual entramos. É, isso talvez me traga um pouco de alivio, sentir que estou caminhando para frente, mas não é fácil ter esse sentimento. Muitas vezes apenas me sinto parado pensando para qual lado devo andar e pra onde fica a saída dessa incansável trilha que não parece me levar a lugar nenhum. Porém, continuo andando com esperança de encontrar esperança e, até lá, talvez eu possa ir cantando uma canção, uma doce e forte canção, para quem sabe esquecer-se desse breu que me cerca.
Acima entrei demasiadamente em uma metáfora a qual não precisa, em nada, ser referente à minha realidade. Talvez eu possa contar outras metáforas das quais lembrem minha vida, mas que no fundo eu nunca saberei o quanto de verdade ou o quanto de fantasia elas contém. Minha vida também pode ser comparada a um carrossel. Nele eu rodo sempre em torno de uma mesma questão: as mulheres, ou melhor, a falta delas, ou melhor ainda, a dificuldade de ao mesmo tempo querer-las e não querer-las mais.
As coisas ultimamente não me parecem muito natural, apenas pareço corresponder às expectativas dos outros. Sinto uma falta de controle sobre minhas relações, como se eu não pudesse esperar pacientemente as coisas acontecerem sem eu as empurrar de modo grosseiro. As relações acontecem e se estabelecem quando menos notamos, mas eu as noto demais! Já disse em sessão (terapêutica) sobre o surf ser o esporte que mais tem a ensinar sobre a vida, pois nele apenas surfamos em cima de uma onda e aproveitamos o máximo desse momento. Porém o grande lance desse esporte é a paciência de esperar as ondas boas virem, pois só essas são gratificantes.