Ao me
sentir sozinho em casa, imaginei um filme do Woody Allen como uma espécie de terapia
improvisada, pois me faria sentir a companhia de alguém que me entende e que
tem questões existenciais como eu. O
filme que vi foi seu penúltimo trabalho chamado “you will meet a tall dark
stranger” o qual tem como idéia central o realista pensamento de que às vezes as ilusões são melhores que os
remédios. Mal posso expressar em palavras quão desesperançoso é esse
pensamento e quão desapontante foi o filme pra mim. Dentre as várias histórias
das personagens do filme apenas uma acaba com certa perspectiva positiva, e é
justamente a que se entrega a ilusão.
Tudo
bem, a vida não precisa ter necessariamente uma luz no fim do túnel, mas ao
menos precisamos sentir as paredes e o chão desse túnel para sabermos que
estamos caminhando na direção oposta a qual entramos. É, isso talvez me traga
um pouco de alivio, sentir que estou caminhando para frente, mas não é fácil
ter esse sentimento. Muitas vezes apenas me sinto parado pensando para qual
lado devo andar e pra onde fica a saída dessa incansável trilha que não parece
me levar a lugar nenhum. Porém, continuo andando com esperança de encontrar
esperança e, até lá, talvez eu possa ir cantando uma canção, uma doce e forte
canção, para quem sabe esquecer-se desse breu que me cerca.
Acima entrei
demasiadamente em uma metáfora a qual não precisa, em nada, ser referente à
minha realidade. Talvez eu possa contar outras metáforas das quais lembrem
minha vida, mas que no fundo eu nunca saberei o quanto de verdade ou o quanto
de fantasia elas contém. Minha vida também pode ser comparada a um carrossel.
Nele eu rodo sempre em torno de uma mesma questão: as mulheres, ou melhor, a
falta delas, ou melhor ainda, a dificuldade de ao mesmo tempo querer-las e não
querer-las mais.
As
coisas ultimamente não me parecem muito natural, apenas pareço corresponder às
expectativas dos outros. Sinto uma falta de controle sobre minhas relações,
como se eu não pudesse esperar pacientemente as coisas acontecerem sem eu as
empurrar de modo grosseiro. As relações acontecem e se estabelecem quando menos
notamos, mas eu as noto demais! Já disse em sessão (terapêutica) sobre o surf ser
o esporte que mais tem a ensinar sobre a vida, pois nele apenas surfamos em
cima de uma onda e aproveitamos o máximo desse momento. Porém o grande lance
desse esporte é a paciência de esperar as
ondas boas virem, pois só essas são gratificantes.


