De longe te vejo, mas será que a essa distância vejo você ou vejo a mim mesmo? A luz humana se mistura a luz de Deus e reflete na porta de vidro até suas costas. De dentro da livraria te vejo na porta com essa luz difusa, dividida, refletindo diferentes cores na sua pele.
Tenho a impressão de minha visão ficar turva e em uma leve alucinação ver duas asas saírem das suas costas, uma branca e uma negra. Essa bate agitada, viril, enquanto a outra suave e delicada. Impossível voar assim.
Limpo meus olhos e volto a ver o brilho difuso refletido não mais na porta, mas no seu próprio ser. Quem é essa? É você? Ouço sua risada agradável que me diz "não é nada disso" ou seria "não sou nada disso"?
Pisco, pisco e novamente pisco, tentando entender o que se passa. Você passou.
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