segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Bruma

Névoa densa amanhece na deserta lagoa da Pampulha. O sol ainda tímido não tem forças para rompê-la.
Na margem ela já deu início a sua corrida matinal. Enquanto corre, o vento úmido toca seu cabelo moreno, formando ondas de ressaca. São chicotes delicados regendo silenciosa sinfonia.
A orquestra é formada: de sua pele parda, maculada por pincel metálico, melhor quadro que Miró nunca teve; de seu corpo argiloso, moldado a cada passo por mãos de artesão divino; e de doce olhar impenetrável.
Seu rito solitário continua como dança sedutora. A neblina prevalece. Bruma e Bruna são uma só. Incerta e misteriosa sombra do dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário