segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Louise, mais conhecida como Lou, entrava na casa de jardim colonial, palmeiras altas, fontes secas, grandiosidade meticulosamente desnecessária. O porteiro já mostra o papel, ela assina. Passa por um jardim interno, coberto de estátuas mortas. Chega numa encruzilhada que leva para o mesmo lugar. Escolhe com dificuldade um caminho. Chega ao pátio sem nome, está vazio. Percebe as folhas no chão e sente um nó no peito que a faz parar. Avista alguém e vai a seu encontro.
"Você é a doutora?"
"Sou sim, aonde eles estão?"
"Vem cá"
Lou o segue até o auditório. O senhor de uniforme azul com uma vassoura de folha de bananeira a deixa. Ela abre a porta de ferro antiga e seu ruído anuncia sua chegada. A aula é interrompida. Um senhor de roupa serena a frente de uma auditório miseravelmente preenchido se levanta e a chama pelo nome. Ela caminha sem jeito ainda tentando se situar naquele local obscuro. O professor a indica a cadeira ao lado dele. Ela se senta e ele logo pergunta, já sabendo a resposta:
"Doutora, você acha que existe cura para aqueles que moram aqui?"
"Não os conheço, professor. Por isso não saberia dizer com certeza, mas acredito que sim"
Uma gargalhada espontânea ecoa no grande salão. O professor, mal se contendo, tenta continuar sua exibição:
"Então quer dizer que você é datada desse mágico dom?"
Louise, ofendida e cansada, se levanta e anda de volta para a saída. Antes de alcançar a porta escuta, sem saber de onde vem, ecos que dizem:
"Lou cura".

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