quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mito do lobisomen barroco


O que fazer nesse fim de tarde onde a chuva ameaça cair e desabar o céu?
O que faço com a vida incerta, confusa e sem mel?

O que faço com minhas aspirações, desejos e sonhos que tampo com tarefas insensatas?
O que faço comigo mesmo, sozinho no meio dessa concreta mata?

Por que não posso simplesmente esquecer o que nunca foi dito?
Por que não posso dizer tudo sobre esse terrível mito?

Mito da vida líquida no meio das pedras, mito da correnteza incansável que me cansa.

Mito do lobisomen barroco que sofre com seu anseio da lua cheia, pois quando é homem se contorce arrependido e confuso do que fez quando lobo. Porém, ao mesmo tempo, deseja ser-lo para que cessem seus conflitos que ardem como fogo.

Ou só lobo ou só homem! Por que é que tinha que ser logo lobisomen?

Um comentário:

  1. A poesia toda é fina! Tem um ar de mistério igual "madrugada de lua minguante" mas mais filosófica. Pareceu psicanalítico, também gosto de não esquecer o lado animalesco do homem com suas perguntas sobre o que fazer ao final das tardes de trabalho quando se depara com a dura liberdade do tempo livre, conviver com a eterna ameaça de desabar e desabafar como a chuva, conviver com a "incerteza confusa sem vel sem mel", com as obrigações dos concretos q já foram matas e ofuscam sonhos. "poder simplesmente esquecer o que nunca foi dito" parece "preciso aprender a ser só" do Gil."não posso dizer tudo sobre esse terrível mito" me lembrou o recalque do mito Édipo e ao mesmo tempo o culto social à fuga de verdades, aos inúmeros mitos, lendas e mentiras urbanas que nos contam. Correnteza incansável que me cansa é pesado e forte. O final me soa psicanálise também, pelas vazões pulsionais inconscientes que nos aflingem como a correnteza, pela briga id e superego e pelo psicótico lobisomen. Me veio a imagem de um homem triste, angustiado e culpado durante o dia e um lobisomen uivando destemido em sintonia com a madrugada e a natureza. Fim, ameaça, cair, desabar, incerta, confusa, insensata, sozinho, concreta, terrível, sofre, anseio, contorce, arrependido, confuso, deseja, conflitos, ardem... Através da arte vc refletiu a essência do louco lobisomen barroco universal e atemporal. Parabéns meu caro!

    ResponderExcluir