quinta-feira, 21 de abril de 2011

Se eu fosse escrever um roteiro de filme escreveria um drama, mas não um drama com final feliz. Escreveria algo de valor, algo que tivesse uma mensagem além daquelas dos filmes comerciais, e espero nunca me vender pra esse tipo arte. Arte que existe em função de si mesma, egoísta e pegajosa que atrai a atenção, mas que não inspira ninguém. Quero criar algo que inspire e mude as pessoas e eu sei que para haver mudança é preciso haver dor, rejeição e tristeza; não há outro jeito, faz parte do processo.

 Então você pode pensar por que alguém gostaria de mudar? E aí está a minha maior questão em relação a arte, como mudar as coisas se elas mesmas não querem mudar? Por que alguém assistiria a um filme que traria dor, rejeição e tristeza? A resposta que encontrei a princípio é que não tem jeito, se a pessoa não quer mudar não é possível fazer nada e quanto mais for forçado essa mudança pior será a mesma. Vemos dezenas de exemplos o tempo o todo a respeito disso: como no caso da Rússia com o socialismo no ou de tantos outros sistemas ditatoriais, não só em relação a países, mas também aos pais.

Entretanto essa resposta não me basta, não quero ficar parado e esperar as pessoas quererem mudar. Preciso fazer algo! É pouco esperar sentado. Foi com essa idéia que pensei em um jeito de fazer as coisas mudarem, e o jeito que pensei foi mudar a mim mesmo. Mudar a mim mesmo para algo que seja mais profundo, mais transcendente, abrir mão das coisas que quero pelas coisas que os outros querem, ou melhor, fazer com que a necessidade do outro seja a minha. Ah mas não quero ser convencido e me achar melhor do que ninguém, estou longe de ser um exemplo, longe de ter controle sobre minha vida e minhas necessidades. Em realidade só tenho uma vaga idéia, uma doce ilusão de que ao menos parte dessa idéia possa existir em plenitude, parte de mim possa estar completa nessa minha “ideologia” (ou “cosmovisão”, chame como quiser) e sei que é devagar e sempre aberto a mudar e me modificar, errando e sofrendo, que vou conseguindo.


Parece um caminho difícil, mas sei, ao menos, que não estou sendo hipócrita tentando mudar o mundo, sendo eu a pessoa que mais precisa se mudar.














*Pinturas: 1- John Robertson retirada do blog http://www.whatartdidhemaketoday.com/
2 - Goya, Saturno.

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